Contos de Shiva

 

Olá, amigos do blog!

Hoje trago um pouco de mitologia hindu. A figuração, a metáfora, o conto, a parábola são formas muito interessantes de transmissão do conhecimento, que quero compartilhar.

Vale salientar que sou instrutor do Método DeRose, o qual tem suas técnicas oriundas da mais antiga linhagem de Yôga. Ao dizer que ensino Yôga Antigo está embutida a informação que transmito um Yôga very, very old, pré-vêdico, sem misticismos envolvidos, estritamente técnico e prático, cujos efeitos são todos resultantes do que se pratica.

O Mito de Shiva está impregnado na cultura hindu, uma cultura repleta de símbolos e com muitas formas diferentes de se interpretar. Para um instrutor ou praticante de nossa linhagem, reconhecemos um personagem da história muito mais que um mito: que viveu, cresceu, descobriu suas técnicas, conquistou o autoconhecimento e transmitiu seus ensinamentos. Portanto, nos importa o Shiva histórico. A mitologia é uma forma de imortalizar conhecimentos que já ultrapassam mais de cinco mil anos de história. É muito tempo! Se você já brincou de telefone sem fio, sabe a dificuldade de fazer uma informação chegar ao final da linha sem modificações. Imagine o que acontece em conhecimentos tão antigos. Descontraia!, e conheça o mito Shiva Natarája, o rei dos bailarinos.

“À história, prefiro a mitologia. A história parte da verdade e ruma em direção à mentira; a mitologia parte da mentira e se aproxima da verdade.” Jean Cocteau

OS INIMIGOS DE SHIVA

“Certa vez, os saddhus  (os yôgis que vivem isolados, solipsistas) sentiram muita raiva de Shiva e conspiraram para assassiná-lo. Acenderam uma fogueira sacrificial de magia. De dentro do fogo mágico surgiu um tigre furioso ao qual ordenaram que fosse matar o Mestre Shiva. Mas Shiva matou a besta, arrancando sua pele e vestindo-se com ela.

Do fogo saiu, em seguida, um trishúla (lança de guerra em forma de tridente) para matá-lo, porém Shiva se apoderou dele e passou a usar como arma para sua defesa. Depois, serpentes para picá-lo, entretanto o Mestre as usou como braceletes e colares com os quais se enfeitou.

Uma horda de demônios surgiu logo depois. Shiva com um mudrá aplacou sua fúria. Ele ordenou que formassem um exército para servi-lo, e eles obedeceram docilmente.

Em seguida, os saddhus atiraram uma caveira contra o Senhor Shiva. Ele a agarrou no ar e colocou-a para enfeitar os cabelos.

Os saddhus, indignados com seus fracassos, tentaram usar seus mantras maléficos para destruí-lo. Eles se agruparam e tomaram a forma de um som terrificante que saía de uma concha (shank). O Mestre apoderou-se da concha e a conservou em sua mão, pelo que passou a ser chamado de Shankar.

Os saddhus, que pareciam nunca desistir de destruir o grande Mestre Shiva, fizeram um novo trabalho de magia negra, acendendo outro grande fogo do qual saiu um poderoso gênio denominado Avidyá ou Muyalakan. Ordenaram-lhe que usasse o fogo e matasse o Mestre. No entanto, Shiva apanhou o fogo com a mão, derrubou o gênio e pisoteou-o.

Os saddhus lançaram maldições e injúrias contra o Mestre. Nenhuma foi eficaz. Muyalakan, esmagado pelos pés de Shiva, debatia-se, mas não conseguia pôr-se de pé. Shiva começou a dançar sobre ele e o Universo tremeu.

Quando a dança parou, os saddhus prostraram-se aos pés do Mestre e cantaram-lhe louvores. Shiva ordenou-lhes que, daquele momento em diante observassem os sádhanas e passassem a seguir uma vida piedosa. Depois disso, voltou para a sua morada no Monte Kailash, casou-se com sua Shaktí e viveu feliz por toda a eternidade. Até hoje, em todo o mundo, pratica-se a arte de força, poder e energia criada por Shiva e com a qual ele venceu todos os obstáculos. O nome dessa arte é Yôga!”

DeRose


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Sobre fabio de santana

Fábio de Santana é Instrutor do Método DeRose, formado pela Universidade de Yôga, supervisionado direto pelo educador DeRose, membro da equipe da sede do Método em Joinville SC. Quando não está exercendo sua arte profissional é surfista de fim de semana, ou escritor diletante.
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